18 de abril de 2026 — Nesta semana, o mercado cripto deixou de ser uma história de preço e passou a ser uma história de infraestrutura. A Kraken pediu registro de IPO com uma âncora de US$ 200 milhões da Deutsche Börse. O Goldman Sachs submeteu à SEC o seu próprio ETF de Bitcoin. O CLARITY Act passou pelas audiências no Senado. E o Bitcoin registrou o maior preço desde fevereiro.
Estas são as notícias que mexeram com os mercados — e o que elas significam para a próxima semana.
Kraken pede registro de IPO — Deutsche Börse apoia com US$ 200 milhões
Em 14 de abril, a Deutsche Börse — operadora da Bolsa de Frankfurt e da Xetra — anunciou um investimento secundário de US$ 200 milhões na controladora da Kraken, a Payward, adquirindo uma participação de 1,5% com avaliação de US$ 13,3 bilhões. Dois dias depois, o co-CEO da Kraken, Arjun Sethi, confirmou na cúpula Semafor World Economy que a corretora havia protocolado de forma confidencial um pedido de IPO nos EUA.

Os objetivos da parceria com a Deutsche Börse abrangem negociação, custódia, liquidação, gestão de garantias e ativos tokenizados. Isso não é um hedge — é um compromisso estratégico. A Kraken chega ao mercado de capitais com uma grande operadora de bolsa tradicional como investidora âncora e com o acesso ao sistema de pagamentos do Federal Reserve garantido em março.
A Coinbase abriu capital em 2021, quando o mercado cripto parecia um universo paralelo ao mercado financeiro tradicional. A Kraken abre capital com a estrutura regulatória já sendo construída ao seu redor. A mensagem é a mesma que o Morgan Stanley passou ao lançar seu ETF de Bitcoin uma semana antes: essa classe de ativos está sendo absorvida pelo sistema financeiro tradicional, e não orbitando ao redor dele.
RAVE, da RaveDAO: um alerta de US$ 5,7 bilhões
Nem todas as histórias desta semana apontaram para o amadurecimento. O RAVE despencou 90% em 24 horas, eliminando cerca de US$ 5,7 bilhões em valor de mercado depois que Binance e Bitget abriram investigações sobre a alta que o precedeu — uma valorização de 10.800%, de US$ 0,25 a US$ 27,33 em nove dias, que provocou US$ 44 milhões em liquidações.
O ZachXBT apontou que cerca de 90% da oferta estava em três carteiras ligadas à equipe, com grandes transferências para corretoras chegando pouco antes da disparada. A RaveDAO negou responsabilidade sem abordar uma única acusação específica.
Oferta concentrada, depósitos em corretoras antes do movimento, um short squeeze e, então, a saída — o padrão é conhecido. A regulação avança, as instituições estão construindo, mas o mercado de altcoins de baixa liquidez continua rodando as mesmas jogadas de sempre.
Goldman Sachs pede registro do seu próprio ETF de Bitcoin
Também em 14 de abril, o Goldman Sachs protocolou na SEC uma declaração de registro para o Goldman Sachs Bitcoin Premium Income ETF — a primeira vez que o banco propõe emitir um produto cripto próprio, em vez de manter fundos spot de terceiros para os clientes.

O fundo investiria pelo menos 80% do patrimônio líquido em exposição a Bitcoin por meio de ETPs spot já existentes, como o IBIT da BlackRock e o FBTC da Fidelity, e então venderia opções de compra sobre essas posições para gerar renda mensal aos cotistas. O nível de overwrite varia de 40% a 100%, conforme as condições de mercado — limitando o potencial de alta durante as valorizações em troca de distribuições consistentes.
Eric Balchunas, da Bloomberg, chamou o produto de "boomer candy": um produto para investidores que querem exposição a Bitcoin, mas preferem rendimento à valorização do preço. Os US$ 3,5 trilhões em AUM do Goldman dão ao banco um alcance de distribuição que poucos entrantes conseguem igualar. O IBIT da BlackRock acumulou US$ 63,8 bilhões em entradas líquidas cumulativas — o fundo do Goldman o usaria como veículo subjacente principal, canalizando a demanda institucional pela liquidez já existente e se diferenciando pela estrutura.
Sujeito ao prazo padrão de 75 dias de análise da SEC, o lançamento está previsto para meados de junho de 2026. As maiores instituições de Wall Street não estão mais apenas observando o mercado de ETFs de Bitcoin — estão construindo produtos dentro dele.
O CLARITY Act avança no Senado
O CLARITY Act — aprovado pela Câmara no fim de julho de 2025, após ser apresentado com apoio bipartidário no mês anterior — passou pelas audiências no Senado nesta semana. O projeto divide a autoridade regulatória entre a SEC e a CFTC e cria marcos legais para stablecoins, DeFi e ativos do mundo real tokenizados.

Para os negócios anunciados agora, o CLARITY é a base. A Deutsche Börse não compromete US$ 200 milhões com infraestrutura de custódia cripto sem uma visão clara da regulação.
O Goldman não protocola um ETF de renda sem confiança de que o arcabouço está se consolidando. São apostas feitas por instituições com horizonte de tempo para esperar pelo rumo da regulação — e não pela situação atual.
Bitcoin — US$ 78K registrados, mas o rompimento não está confirmado
O Bitcoin tocou US$ 78.000 na sexta-feira — o maior nível desde fevereiro — à medida que o prêmio de risco do Oriente Médio diminuiu e a demanda institucional empurrou o preço além da zona de resistência que limitou o movimento de abril.

O BTC passou a maior parte do mês consolidando em uma faixa de US$ 70.000 a US$ 74.000, com o Índice de Medo e Ganância preso em torno de 23 — Medo Extremo profundo — por um período incomumente longo. Os ganhos vieram com a melhora nas negociações de cessar-fogo entre EUA e Irã. Os mercados já responderam a esse catalisador antes, e cada alta anterior perdeu força antes que as manchetes voltassem a azedar.
As entradas nos ETFs spot na semana encerrada em 16 de abril somaram US$ 332 milhões, após US$ 786 milhões na semana anterior. As entradas cumulativas já ultrapassaram US$ 57 bilhões — o posicionamento institucional absorve a oferta de forma constante, mesmo em semanas em que o preço não saiu do lugar.
Níveis-chave: Resistência em US$ 75.000–US$ 76.000. Um fechamento diário confirmado acima abre caminho para US$ 80.000. Suporte em US$ 70.000–US$ 72.000, que se manteve em vários testes. Perder US$ 68.700 muda o quadro.
Ethereum — a janela da Glamsterdam está se abrindo
Os ETFs de Ethereum registraram seis dias consecutivos de entradas líquidas até 16 de abril, com o total cumulativo chegando a US$ 11,82 bilhões. Mais importante é o calendário da atualização: a Glamsterdam entra em operação em junho, e a janela pré-atualização historicamente se abre de quatro a seis semanas antes — em meados de maio.

O Merge gerou uma alta de 35% antes do evento, e Shanghai, de 40%. O pedido simultâneo do Morgan Stanley para um trust de Ethereum acrescenta uma camada institucional que os ciclos anteriores não tinham.
Níveis-chave: ETH na faixa de US$ 1.900–US$ 2.100. Observe a estabilização da relação ETH/BTC — e não apenas o preço do ETH.
Ouro — demanda estrutural intacta
O XAU/USD se beneficiou simultaneamente da demanda por proteção e do enfraquecimento do dólar durante todo o período do conflito. As metas institucionais para o fim do ano continuam elevadas: J.P. Morgan em US$ 6.300 e Deutsche Bank em US$ 6.000.

Níveis-chave: Suporte em US$ 4.630–US$ 4.689. Resistência em US$ 4.900. Um rompimento acima, com avanço crível no cessar-fogo, provavelmente recolocaria a máxima histórica ao alcance.
Altcoins — acumulação antes da rotação
A dominância do Bitcoin caiu para 59,7%, e a participação das altcoins no volume de negociação subiu para a máxima em três meses. Os endereços ativos do Ethereum atingiram máximas do ciclo. Os saldos de XRP nas corretoras caíram aos menores níveis desde 2021 — acumulação, não distribuição. O volume semanal em DEXs da Solana ficou perto de US$ 88 bilhões.

O cenário a observar: ETH/BTC se estabilizando em maio, o Altcoin Season Index cruzando 50 e a dominância do Bitcoin mantendo a queda. Os três fatores juntos confirmam o que os dados de fluxo começam a sugerir.
Eventos-chave a acompanhar
- Prorrogação do cessar-fogo entre EUA e Irã — A abertura ou o colapso em Ormuz move petróleo, ouro, BTC e dólar ao mesmo tempo. É o principal catalisador entre classes de ativos.
- Comunicações do FOMC — Primeiros comentários do Fed após o CPI. Uma leitura hawkish limita os ativos de risco; uma dovish abre o cenário construtivo.
- Análise da SEC sobre o ETF do Goldman — O prazo de 75 dias começou em 14 de abril. O posicionamento da SEC sobre a estrutura de renda definirá um modelo para pedidos semelhantes que já estão na fila.
- Relação ETH/BTC — A janela pré-atualização da Glamsterdam abre em meados de maio. Observe esse indicador, e não apenas o preço do ETH.
- Markup do CLARITY Act no Senado — Um cronograma confirmado acelera de forma significativa o calendário institucional.
Principais conclusões
Bitcoin — US$ 78K na sexta-feira, a maior cotação desde fevereiro. Precisa de um fechamento acima de US$ 76.000 para abrir caminho até US$ 80.000. Suporte em US$ 70.000–US$ 72.000.
ETF de Bitcoin do Goldman — Estrutura de renda com venda coberta de opções de compra protocolada em 14 de abril. Lançamento previsto para meados de junho, dependendo da análise da SEC. Wall Street agora está construindo dentro do mercado de ETFs, e não apenas observando.
Ethereum — Seis dias consecutivos de entradas em ETFs. Glamsterdam em meados de maio. Observe a ETH/BTC.
Ouro — Suporte em US$ 4.630–US$ 4.689, resistência em US$ 4.900. Metas para o fim do ano de US$ 6.000–US$ 6.300.
IPO da Kraken + Deutsche Börse — US$ 200 milhões de uma operadora de bolsa tradicional são um compromisso estrutural, não uma manchete.
Altcoins — A rotação ainda não está confirmada. Todas as métricas on-chain apontam na mesma direção. Paciência primeiro, posicionamento depois.
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